04
Fev

O problema é mesmo da humidade

É verdade, não há ano que passe que o tema da humidade não volte a surgir, já dizia a senhora da reportagem “o problema é da humidade”, e é mesmo! A grande questão aqui é perceber de onde surge este problema e como é que podemos evitá-lo ou resolvê-lo.

Com o mau tempo é uma das questões mais constantes a todos os amigos arquitectos e engenheiros, e como nós não queremos deixar os nossos amigos sem respostas, decidimos dar uma breve explicação com alguma dicas.

Na construção existem vários tipos de humidade que podem ter origens diferentes e também vários tipos de manifestações, sendo eles:

  • Humidade da construção;
  • Humidade de precipitação;
  • Condensações;
  • Higroscopicidade dos materiais;
  • Causas fortuitas;
  • Humidades ascensional.

Este é assunto muito extenso, que poderia dar pelos menos mais três artigos, por isso vamos explorar os tipos de humidade mais comuns no interior das nossas nossas habitações, sendo eles a humidade da construção, as condensações e a higroscopicidade dos materiais.

 

HUMIDADE DA CONSTRUÇÃO

Esta é caracterizada pela humidificação geral nos revestimentos interiores, mesmo quando a taxa de ocupação é baixa, assim como a produção de vapor de água. Pode ser manifestada através de manchas de grande dimensão com uma diferença de tom pouco acentuada, podendo ainda resultar numa formação de bolores pontuais em zonas pouco ventiladas e ainda eventuais fissuras ligeiras localizadas.

Estas anomalias podem ter diversas causas, sendo que no caso de edifícios de construção mais nova, estas são geralmente resultantes de problemas de secagem natural durante a fase de construção, ainda antes de serem habitadas. Para além desta causa, há ainda uma série de motivos que podem agravar a situação:

  • Alto índice de ocupação;
  • Falta de ventilação habitação;
  • Hábitos que gerem níveis elevados de vapor de água;
  • Uso excessivo de água durante a construção (ou ainda incumprimento dos tempos de secagem dos materiais).

 

Dicas:

  • Cumprir tempos de secagem dos elementos construtivos (ventilação natural);
  • Sempre que se recorrer a aquecimento para a secagem, este deve ser controlado e associado a ventilação;
  • Não devem ser usados meios de aquecimento com gases ou vapor de água;
  • Após secagem dos materiais, conforme as anomalias provocadas, tratar cada uma detiorações com a estratégia correspondente.

 

CONDENSAÇÃO

Esta forma de humidade acontece geralmente no Inverno devido à conjugação de três fatores: baixa resistência térmica das paredes, ventilação deficiente dos compartimentos e aquecimento intermitente ou inexistente. Esta conjugação de fatores resulta em altos teores de humidade no ar interior que, em contraste com a temperatura das paredes de fachada, cria o que chamamos de condensação superficial. Com este fenómeno, as superfícies das paredes por estarem molhadas fixam melhor poeiras e micro-organismo criando assim fungos e bolores.

Existem também vários fatores que podem agravar esta situação como:

  • Os hábitos dos moradores e o excesso de ocupantes;
  • Reduzida exposição solar;
  • Existência de infiltrações exteriores, sendo que o humedecimento diminui a resistência térmica das paredes, potenciando o risco de condensação superficial.

 

Dicas:

  • Reabilitação exterior reforçando a resistência térmica (preferencialmente com soluções de isolamento térmico exterior);
  • Limpeza dos revestimentos com produto esterilizante e posterior lavagem com produto neutro e secagem, só depois se deve reparar a pintura;
  • Ventilação frequente (que pode ser feita apenas abrindo as janelas para que circule ar e, nos casos onde não existam aberturas, deve existir um sistema de ventilação);
  • Em caso de divisões onde não seja possível utilizar ventilação natural, é possível utilizar um desumidificador para ajudar a reduzir a humidade do ar;
  • Controlo na produção excessiva de vapor de água.

 

HIGROSCOPICIDADE DOS MATERIAIS

Este fenómeno decorre da presença de sais na água ou em alguns dos materiais da construção que florescem à superfície. Por si só, os sais não são considerados uma anomalia, no entanto, quando acompanham a migração da água até à superfície tornam-se visíveis, criando pequenos sais ou cristais onde cristalizam sob a forma de fluorescências.

Entre os vários motivos que podem aumentar o risco de higroscopicidade, como o caso dos sais já presentes nos materiais, que não é possível controlar, temos também:

  • Deficiência na secagem em construção;
  • Falta de ventilação dos espaços (criando condensação, que traz água à superfície);
  • Oscilação de temperatura dos espaços e produção de vapor de água (fazendo com que a água migre à superfície e volte a ser absorvida constantemente).

 

Dicas:

  • Ventilação dos espaços;
  • Não limpar os sais com água, senão voltaram apenas a ser dissolvidos para o interior da parede e assim que a temperatura volte a oscilar, irão surgir novamente;
  • Limpar apenas escovando os sais, não irá prevenir que não volte a acontecer, mas irá limpar os que estão neste momento à superfície.

 

Todos sabemos que este é um assunto que acaba por afetar uma grande parte das habitações das habitações nesta altura do ano, no entanto, esperamos que com estas dicas consigam melhorar ou prevenir a maioria destas anomalias. Entretanto não se esqueçam, uma janela aberta resolve muitos problemas. Aproveitem o sol e abram as janelas, a casa vai agradecer de certeza!